Não quis desistir. Não quis olhar para trás. Não quis engolir aquelas lágrimas que desciam geladas pela garganta seca. É, as palmas suavam frias e passavam pelo rosto quente e vermelho. O coração batia ora devagar, ora rápido demais. Não sabia na verdade se ia morrer, ou se sobreviveria mais uma vez. Pensou que queria morrer. Não, pensou em sobreviver. O coração cortava, cortava facinho que nem faca em isopor quente. Não doía, não doeu. Nunca doeu. Desaprendeu várias coisas. Não quis mais ser gentil.
Mas é difícil demais. Gentileza é palavra rara hoje em dia. Temo que muitos nem a conheçam, não saibam seu significado.
Chega mais perto, não, eu não quero conversar.
Vem, desce aqui comigo. Entra debaixo desse cobertor e se deixa levar dessa vez.
A música tá alta eu sei, é assim que eu gosto. E eu gosto de você.
Boa noite.